Caminho de volta






Caminho de volta

Rosa Araujo 

De tanta dor, a menina desatinou,
Pôs-se a andar, desvairada
Em uma estrada só por ela desvendada.
A cada passo dado, à loucura se entregou.

A densa escuridão do seu pranto,
Criou forma e tomou lugar em seu pensamento,
Tudo o que ela queria era correr de seu sofrimento,
Fugir, se libertar do que não tinha acalanto.

Seus escuros caminhos quase a levaram a cruzar um limite,
que a colocariam em uma prisão sem volta.
Eis, que ao por um pé do outro lado da linha,
Enxergou que deste lado, a luz ainda a acolheria.
Voltou-se para ela, e, bem devagar,
deixou-se banhar pelo amor dourado dos que aqui ficaram.






Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Lições para meu pai

Racismo de carnaval em três atos

Roda da Fortuna particular