Gerações z, Alfa e Beta: frágeis filhos da tecnologia








Os jovens e crianças nascidos dos anos 1997 para cá são as gerações nascidas entre a transição do mundo analógico para digital.
Têm um olhar sobre o mundo que os cerca a partir do conteúdo que absorvem através das redes sociais e inúmeros aplicativos que atendem suas necessidades mais prementes.
Entendem absolutamente tudo de tudo, muitas vezes de uma maneira superficial, algumas vezes, se aquele assunto lhes traz um interesse mais aprofundado, fazem uma pesquisa um pouco maior e recheiam sua fala com argumentos que aprenderam através das mesmas fontes de consulta.
Não saem de casa sem celular, pois não sabem mais se orientar sem ele. Estudam juntos em salas de aula de escola e faculdade, mas, quase não se falam, não se frequentam, pois o mundo virtual é mais perfeito e colorido e eles podem ser donos das situações criadas e vividas por eles mesmos neste ambiente. Cada um cuida de seu mundo virtual com muito cuidado. Cada "like", cada "unfollow" e cada "view" é o que regula os relacionamentos entre eles. Ah, sim, a quantidade de "views" e comentários também demonstram maior ou menor interesse "afetivo" em quem eles seguem.
Uma amiga, muito preocupada com o isolamento social físico de seu filho (no mundo virtual tinha uns 2k de amigos), me disse que uma vez convidou quatro colegas de escola que ela sabia ser mais próximos. Fez um lanche para os meninos e deixou-os à vontade para conversar sobre o que quisessem. Passou-se uma hora. Quando ela foi dar uma olhada, estavam os cinco (os quatro colegas e o filho), cada um em seu celular, jogando o mesmo jogo e conversando entre si através do jogo! Ela ficou entre perplexa e decepcionada, pois, achava que chamando-os para "brincarem" juntos, eles sairiam de seu mutismo e conversariam, interagiriam fisicamente entre si. Pediu aos pais que viessem buscar os meninos porque "lembrou que tinha um compromisso" e a partir daquele dia matriculou o menino em atividades físicas que não precisassem nem olhar no celular. 
Sou mãe de uma adolescente da geração z que não gosta de rede sociais, mas, que vive presa a jogos e, algumas vezes, conversa com uma ou duas amigas por um aplicativo de mensagens. Ela vê muitos vídeos e abre páginas de atualidades e está ciente do mundo virtual e real. Sinto que, obviamente, ela se sente mais aconchegada ao mundo virtual, pois, de quem ela gosta, ela deixa se aproximar (pero no mucho) e de quem ela não gosta é bloqueio certo.
Para ela o mundo real é como o virtual que ela gerencia: o preto no branco com pouquíssimas chances de cinza, mas, ela tem colegas que se perdem horas e dias no colorido mundo das amizades e namoros virtuais. 
Observamos juntas que esses colegas, quando têm que lidar com o mundo real, precisam sempre de uma "bengala emocional": pai, mãe ou namorado(a,e). E o que é mais complicado é que , quando esses jovens se frustram ao não terem suas expectativas atendidas, se agarram a suas "bengalas emocionais" como se elas fossem remédios milagrosos, bálsamos para sua imensa dor e frustração. Quando descobrem que são só pessoas iguais com as mesmas limitações ou até maiores do que as deles, se desesperam, têm altas crises de ansiedade, saem à caça de uma outra bengala, outro suporte emocional, gerando um ciclo infinito de euforia, satisfação, frustração, desespero, dor.
Vemos hoje um esforço para tirar esses jovens e crianças da frente das telas e interagirem mais, conversarem, retomarem o contato, criarem laços emocionais não idealizados e apoiarem-se uns aos outros, transformando-se em indivíduos reais e potentes.

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