Boletos vitalícios
Rosa Araujo
A vida nos traz muitos boletos: virtuais, emocionais e, ainda, em papel.
Somos seres comprantes, devedores o tempo todo. Se queremos aquela geladeira de inox com água na porta, vários boletos, se precisamos de algo que não podemos comprar à vista, lá vem eles!
As vezes até nos enrolamos com tantos. Mas, nada, nada, pior do que os boletos emocionais.
Estes nascem a partir do momento em que nos relacionamos. Há alguns relacionamentos, saudáveis, que não geram boletos, somente voucher de trocas, em que ambas ou mais partes, se satisfazem com o mecanismo do escambo emocional, há equilíbrio e felicidade. Mas, aquelas que geram boletos emocionais, acabam deixando marcas, porque, muitas vezes, são dívidas que não podemos pagar. Viram boletos de valor tão alto, que nem parcelando, conseguimos dar conta, estamos sempre em dívida. Ainda mais se temos um credor extremamente exigente.
Esses boletos das dívidas emocionais, nos deixam nos cadastros restritivos da vida, e, muitas vezes, não conseguimos limpar nosso nome e seguir em frente.
Quando conseguimos, o que é feito com grande esforço, acabamos virando os “ investidores de perfil conservador”, pois nos sentirmos acumuladores de boletos, sejam econômicos,sejam emocionais, nos traz desgastes e prejuízos que muitas vezes, não conseguimos bancar.

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