O sorriso do jacaré




   Certa feita, estava eu a caminho da casa da minha comadre em Lagoinha, um sub,sub,sub bairro de Nova Iguaçu, para visitar as crianças, quando me deparo com, nada mais, nada menos do que um jacaré no meio do mato.

       Isso mesmo. Um jacaré. 

O réptil estava todo pimpão, parado, caraminholando lá, suas jacarezices, pegando um sol, com a boca entreaberta e uns 300 dentes a mostra, como se estivesse rindo do meu susto de vê-lo ali, perto da casa da minha comadre, no meio do mato.

    Quem conhece Lagoinha sabe que é um local de Nova Iguaçu que parece mais o Pantanal. Há partes desse local que nem parecem habitadas, inclusive. Minha comadre morava em um lugar desses com suas duas filhas e o marido, e, para visitá-los, tínhamos que saltar na beira da Estrada de Lagoinha e andar, andar e andar em uma estrada de terra batida ladeada de mato alto. Nada difícil de, de vez em quando, aparecer uns seres inusitados.

     Tem gente que, à noite, jura que já viu lobisomem, a loura do banheiro dando uma volta, saci, por que não, um jacaré durante o dia não é mesmo?

     Fiquei parada, pensando se eu enfrentava o jacaré “ sorridente”, se dava meia volta, ou dava um grito na direção da casa da minha comadre, mas, aí poderia assustar o bicho. Estava embatucada nessa, quando, surgiu de repente, um grupo de gansos sinaleiros furiosos correndo em minha direção.

     Corri dos gansos sem olhar para trás, porque tenho mais medo de gansos do que de jacaré, com toda certeza. Os gritos dos gansos foram morrendo pouco a pouco.

   Quando criei coragem de olhar, só vi um rabo verde acinzentado passando para o outro lado do mato e um rastro de sangue. 

   Os gansos resolveram o meu impasse diante do jacaré sorridente.

     Me voltei em direção à casa da minha comadre e pernas para que te quero. Imagina se o bicho resolve comer uma sobremesa?


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