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Mergulho no desapego

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  Mergulho no desapego Rosa Araujo         Mira mergulhou de cabeça no trabalho após a perda da mãe. As duas sempre foram muito ligadas e, por isso, com a morte da sua amada amiga, a vida ficou um pouco descompassada.         Chegava antes dos colegas no escritório, revisava todas as planilhas com cuidado, dava conta de todas as demandas que lhe davam e superava suas metas diárias. Tudo para não sentir a dor da ausência.      Um dia, chegou em casa, acendeu a luz da sala, olhou em volta e deu um suspiro. Era a hora em que sua mãe levantava da poltrona e vinha ao seu encontro com um sorriso e um abraço perguntando como tinha sido seu dia. Mira sentou na poltrona da mãe e chorou bastante. Já fazia um mês que a mãe havia falecido e ela não se recuperava da ausência.        De repente, Mira sentiu um arrepio e parou de chorar. Levantou a cabeça len...

Fames finita est

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   Maria Cristina, desde criança, sempre foi faminta. Parecia que tinha um grande buraco dentro dela que não conseguia preencher.  Seus pais, muito atentos as suas menores necessidades, enchiam a menina de carinho e vontades. Ela teve acesso a absolutamente tudo que uma criança precisa para crescer saudável e feliz. Mas, para ela nunca bastou. Ela tinha esse vazio que não conseguia preencher e compreender por que existia. Terapias, psiquiatras, tratamentos espirituais, nada explicava o que Maria Cristina costumava nomear de o “Grande Buraco Interior”.  Achou que talvez fosse falta de amor romântico, e, até namorou uns caras, umas meninas, pois, uma pessoa faminta como Maria Cristina não queria saber o que “seus pais iam pensar”. Ela queria era se preencher. Mas, nada adiantava mesmo.  Então, ela comia. Desde comidas pesadas até as saudáveis, Maria Cristina comia como se estivesse com uma fome secular. E estava com fome, sim, pois, desde que se entendia por gente...

Juntas e Separadas: vale a pena assistir

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 Gente, as organizações Globo não está me pagando um real, mas, vou fazer uma publi de graça para eles. Vocês já viram a série da Globo play chamada " Juntas e separadas"?  O texto é da Thalita Rebouças ("Fala sério, mãe ") sobre um grupo de amigas entre 40 e 50 anos que estão juntas pelo mesmo fio condutor que é o divórcio. Interpretado maravilhosamente pelas quatro protagonistas, o texto flui e conversa com as mulheres desta faixa etária de maneira divertida e ao mesmo tempo profunda, trazendo reflexões importantes acerca de: maternidade, dependência emocional, sexo, sexualidade e a tão temida menopausa. A grande protagonista da série é, na realidade, a amizade entre elas, que resiste aos romances e aos contratempos na relação delas. A amizade as mantém na alternância de junção e separação como bem mostra o título da série, fortalecendo o grande amor que compartilham Além da temática e das personagens, a fotografia e lindíssima, a cenografia e o figurino das perso...

Vênus em Gêmeos

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  Pressinto que terei que encher muitas páginas com várias palavras de muitos tamanhos, cores e texturas. Só assim, talvez, me esvazie das dores, dos dissabores e consiga me preencher da alegria de me saber e de me possuir por todos os meus orifícios. Até não sobrar em mim nem um e nenhum vazio .

O sorriso do jacaré

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   Certa feita, estava eu a caminho da casa da minha comadre em Lagoinha, um sub,sub,sub bairro de Nova Iguaçu, para visitar as crianças, quando me deparo com, nada mais, nada menos do que um jacaré no meio do mato.        Isso mesmo. Um jacaré.  O réptil estava todo pimpão, parado, caraminholando lá, suas jacarezices, pegando um sol, com a boca entreaberta e uns 300 dentes a mostra, como se estivesse rindo do meu susto de vê-lo ali, perto da casa da minha comadre, no meio do mato.     Quem conhece Lagoinha sabe que é um local de Nova Iguaçu que parece mais o Pantanal. Há partes desse local que nem parecem habitadas, inclusive. Minha comadre morava em um lugar desses com suas duas filhas e o marido, e, para visitá-los, tínhamos que saltar na beira da Estrada de Lagoinha e andar, andar e andar em uma estrada de terra batida ladeada de mato alto. Nada difícil de, de vez em quando, aparecer uns seres inusitados.      Tem gente que...

Manifesto para as que merecem respeito e não rosas

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  Manifesto para as que merecem respeito e não rosas Rosa Araujo Este pequeno manifesto tem o objetivo de mostrar o desejo de ter as nossas vidas, nossos corpos e nossas individualidades femininas preservadas, cuidadas. Queremos ser felizes e sobrevivermos com dignidade e igualdade em uma sociedade machista, misógina e cruel.  Deverá ser permitido a partir de hoje e para sempre: ficarmos vivas, fortes, unidas e que a justiça seja feita em todos os casos em que nos machucarem; sermos donas e senhoras de nossos corpos; usarmos as vestimentas que quisermos e não sermos estupradas por isso e nem por não termos o nosso “não” respeitado; não apanharmos por sermos mais inteligentes que alguns homens; não sermos violentadas mentalmente e patrimonialmente; não termos nossa jornada tripla, quádrupla diária romantizada e nem sermos chamadas de “guerreiras”; termos o direito de ter nossa opção sexual respeitada, sem sermos expostas ou mortas por isso; termos tempo de descansar, nos autocu...

Racismo de carnaval em três atos

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Eu e minha família viajamos para Itatiaia nesse Carnaval. Estávamos precisando de um lugar para descansar, pois a nossa rotina está massacrante. Para quem não conhece, Itatiaia é uma cidade no Rio de Janeiro, onde está localizado o Parque Nacional e Penedo (que é um bairro e não um distrito), um local tranquilo. Escolhemos uma pousada em um local retirado. Tudo certo. Eu amei nosso Carnaval. Mas... sempre tem um mas, não é?  Sofri racismo. Compartilho com vocês a minha experiência, não para vocês ficarem com pena, ou achar que quero likes ou me vitimizar. É só para mostrar que o racismo é entranhado de verdade em nossa sociedade. Três cenas. A primeira. Estávamos almoçando em um quiosque no Parque. Ao acabar de comer, estávamos tirando as bandejas com pratos e talheres, assim como todos que tinham acabado de comer.  Um senhor de uns 70 anos, olhos azuis, pele avermelhada e sua esposa, com o mesmo fenótipo, olharam para mim e perguntaram: "Ja está limpa a mesa? Pode nos trazer ...

Amor de desejos

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Amor que se deseja considerado, não aceita ser menosprezado. Amor que se deseja respeitado, não aceita ser difamado. Amor que se deseja correspondido, não aceita ser partido. Amor que se deseja ser completo, não deseja ser concebido sem afeto. Amor que se deseja pulsante, quer e precisa ser amante.

Boletos vitalícios

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Boletos vitalícios  Rosa Araujo A vida nos traz muitos boletos: virtuais, emocionais e, ainda, em papel.   Somos seres comprantes, devedores o tempo todo. Se queremos aquela geladeira de inox com água na porta, vários boletos, se precisamos de algo que não podemos comprar à vista, lá vem eles!   As vezes até nos enrolamos com tantos. Mas, nada, nada, pior do que os boletos emocionais.   Estes nascem a partir do momento em que nos relacionamos. Há alguns relacionamentos, saudáveis, que não geram boletos, somente voucher de trocas, em que ambas ou mais partes, se satisfazem com o mecanismo do escambo emocional, há equilíbrio e felicidade. Mas, aquelas que geram boletos emocionais, acabam deixando marcas, porque, muitas vezes, são dívidas que não podemos pagar. Viram boletos de valor tão alto, que nem parcelando, conseguimos dar conta, estamos sempre em dívida. Ainda mais se temos um credor extremamente exigente.   Esses boletos das dívidas emocionais, nos deixam ...

Roda da Fortuna particular

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Ando em uma cangorra de : " Senhor, dai- me forças" e " quer saber, foda-se".  Tenho vivido vários lutos, um atrás só outro: perda de gente que achei que nunca ia sair da minha vida, luto parcelado de pessoas amadas que estão deixando a vida aos poucos, mudanças abruptas de rumo, que me deixam suspensa no ar, antes de desabar, que nem aqueles castelos de blocos do "Pequeno Construtor". Para catar cada bloquinho e dar uma nova forma ao castelo, demora... Sei que a vida é movimento. Não tenho a ilusão da imobilidade das coisas. Porém, há cortes que doem mais que uma navalha afiada na carne. O bom da vida é que ela tem dois lados. E o lado luminoso que se apresenta, que é quando a gente usa a segunda parte da frase que abre meu texto, faz com que a vontade renasça, que achemos beleza onde havia dor e que a gente entenda que a vida vale a pena ser vivida, e que luz e sombra, luto e alegria, fazem parte desse processo. Sejamos movimento. Eu me reservo o direito...

Abundância de palavras

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  Depois de algum tempo sem escrever por aqui, volto para falar da emoção de participar de uma coletânea de poemas femininos e lançar este livro, autografar, e compartilhar os meus textos com leitores interessados no que eu tenho a dizer. A sensação de ser escritora, uma autora que pode externar seu universo traduzido em palavras é uma alegria indescritível. Eu sempre me entendi e compreendi o mundo ao meu redor através da escrita. Muitos traduzem o que sentem através da pintura, dança ou outra forma artística. A minha, é através da palavra, da linguagem, dos símbolos, enfim, tudo o que pode ser expressado através da comunicação verbal e escrita.  Sou feliz por poder começar a realizar o sonho da publicação por uma editora através desta obra. Foi só o primeiro passo para mais publicações. Escrevo o que vivo, o que sinto e este é o meu combustível para seguir em frente. Obrigada a todos que me incentivaram e incentivam. Em especial, Cintia Barreto, Rosa Escarletti, Aleatórios, ...

Liberdade para terceiridadizar

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  Liberdade para terceiridadizar Rosa Araujo Ano dos meus sessenta anos. Meu Deus, o tempo passou tão depressa! Onde e como vivi este catatau de tempo? Parece que foi ontem que estava na escola primária, depois no ginásio...sim, eu sei que agora a nomenclatura é outra, mas, me permito falar do jeito que eu quiser, pois, afinal de contas já estou à beira dos sessenta.  Estou prestes a cruzar o limite da “segunda idade” – se é que existe essa classificação - para a terceira idade. Deixarei de ser uma pessoa seminova para ser idosa. Aliás, ri muito, dia desses, ao ouvir uma adolescente falar para a mãe de uns 50 anos assim:”Ah, mãe, você ainda não está na terceira idade…. Você ainda está chegando lá. Não é velha e nem nova, é seminova…” . Eu pensei cá com os meus botões: “não, criança, nós somos semivelhos, isso que nós somos.” Estamos, e afirmo estamos, porque, na realidade, nós nunca somos de fato, sempre estamos, não é? Estamos pessoas com muitas manias, costumes, hábitos arra...

Reencontro

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Retire-se de você mesma, quando o seu barulho interno se tornar ensurdecedor. Procure o silêncio do lado de fora.  Organize-se. Retome a sua sintaxe interna Reescreva-se, refaça-se e depois volte. Não deixe que a sua algaravia te desacerte. Não há nada pior que se perder de si mesma. Então, retire-se de você por uns instantes, até que sinta falta de si.  Quando a saudade de você estiver muito intensa, aí, sim é a hora de pegar o caminho de volta. Ao chegar, você perceberá que a paz se refez.  E fortalecida, pode retomar sua caminhada .

Olhos que abraçam

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  Olhos que abraçam Rosa Araujo Olhos que acompanham os seus passos, Passeiam pela estrada que você caminha, Se iluminam ao som de sua voz, Se fecham ao perceber o perigo que se avizinha. Olhos que conversam com outros olhos, Se reviram ao sinal de descontentamento, Se estreitam ao se perceberem enganados, Se arregalam de espanto ao ver desalento. Olhos marejados com a sua tristeza, Inundados com a sua esperteza, Acalentados pela sua singeleza, Olhos que abraçam, seja qual for sua natureza.

Somos todos Trumans

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 Eu não sei vocês, mas, eu ando com a sensação de estar vivendo naquele filme do Jim Carrey, "O Show de Truman". Cada um de nós é Truman, vivendo situações que parecem absolutamente irreais e descabidas. E que tem sempre alguém nos observando para ver como nos saímos. Só que no filme, que, na realidade, era um experimento cruel, onde Truman é um homem alijado da vida real desde o nascimento, havia uma alternância entre "coisas boas" e "coisas ruins". Eram sempre criados meios para o personagem sempre fazer o "bem" triunfar.  Nós, os Trumans da vida real, vivemos absurdos atrás de absurdos sem intervalo, somos muitas vezes levados a fazer coisas para ganharmos likes, views e ainda, acabamos por compactuar tacitamente com situações aterradoras ou normalizar absurdos.  Somos muitos manipulados por poucos. Nesse grupo de poucos estão inclusos os grandes empresários de mídia de internet, aqueles que detém o verdadeiro poder na economia capitalista. Es...

Lições para meu pai

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  Lições para meu pai Isabel Rosa Ele é um homem desorganizado um homem cheio de dores um homem que precisa ensinar às pessoas primeiro o lado ruim da vida, para depois, ensinar o lado  bom um homem muito intenso que soube conviver com os incômodos e abraçá-los a ponto de gostar deles Este sou eu, o homem que orienta de forma diferente, da forma não convencional. Um homem  incompreensível. Um homem que tem uma conexão tão forte com as pessoas para ensinar, que nem  sempre o bem e a felicidade são necessários por tanto tempo. Você deve saber equilibrar os lados para alcançar a estabilidade… - A completude. Para chegar à perfeição é necessário ouvir a voz da sua cabeça quando sentir que é certo. Ouça. Prove. Sinta. Ame. Saia. Corra. Afaste-se Recolha-se. Isole-se. Dance. Quando sentir que é o  certo. Obedeça seus conselhos que vêm do interior da sua mente e assim encontrará o equilíbrio. Sempre é  tempo de se ouvir. Ouvindo a paz.

Onde anda você?

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  Onde anda você? Rosa Araujo         “E por falar em saudade, onde anda você?”   Gervásio ouvia essa música repetidamente em seu dispositivo eletrônico. Aliás, andava com saudades dos rádios, vitrolas e aparelhos de fita cassete que tinha em sua antiga casa. Agora, tudo funciona por bluetooth, comando de voz e outros que tais que ele se esforça para usar.     Ele se considera quase um Highlander do alto de seus 88 anos, pois, já viu, viveu e sobreviveu a tanta coisa: casamentos, descasamentos, nascimentos, mortes, moléstias, curas, tanta coisa…       Agora, sua mente anda um tanto embaralhada. Confunde um pouco o passado com o presente, as vezes, tem a sensação de estar em um sonho do qual, de repente, acorda . E quando isso acontece, coloca em seu dispositivo a música que o conduz de volta de suas viagens/sonhos, traduzindo o sentimento que lhe consome todos os dias: “você bem que podia me aparecer,nesses mesmos lugares...

Caminho de volta

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Caminho de volta Rosa Araujo  De tanta dor, a menina desatinou, Pôs-se a andar, desvairada Em uma estrada só por ela desvendada. A cada passo dado, à loucura se entregou. A densa escuridão do seu pranto, Criou forma e tomou lugar em seu pensamento, Tudo o que ela queria era correr de seu sofrimento, Fugir, se libertar do que não tinha acalanto. Seus escuros caminhos quase a levaram a cruzar um limite, que a colocariam em uma prisão sem volta. Eis, que ao por um pé do outro lado da linha, Enxergou que deste lado, a luz ainda a acolheria. Voltou-se para ela, e, bem devagar, deixou-se banhar pelo amor dourado dos que aqui ficaram.

Sexta feira Santa

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  Desde pequena tenho respeito e um certo desconforto com a sexta-feira santa.  Eu sou criança da década de 80,então, fiz catecismo, hoje em dia, catequese, obrigada, Primeira Comunhão obrigada e ficava muito brava quando não podia participar da coroação de Nossa Senhora porque o padre fofo da época dizia que "não tinha anjo preto no céu" Na Semana Santa, se instalava um clima de tragédia e recolhimento forçado na minha alma. Éramos obrigados a ver todos os filmes da Paixão de Cristo possíveis e imagináveis: os que passavam na Sessão da Tarde, o que a Tia Nadir do Catecismo passava...enfim, todos. Daí, lá vinha aquele sofrimento sem fim de Jesus, que já sabia que ia sofrer à beça, se derramando na tela. Eu ficava arrasada de ver Jesus apanhando mais que boi ladrão, tomando vinagre, tendo as mãos e os pés pregados, e a gente via no filme o centurião PREGANDO as mãos e os pés de Jesus! É uma imagem horrorosa que não saiu da minha cabeça até hoje! Eu não entendia porque ele, que...

Adolescência

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  Amigos, Assisti à microsserie da Netflix Adolescência (não estou fazendo publi para a plataforma, que fique bem claro rs), e devo dizer que maratonei os quatro longos capítulos. Quando acabou, fiquei olhando para a tela com um bolo no estômago. A plataforma, espertamente, colocou para chamar atenção, as cenas de conflito do protagonista Jamie, sugerindo que seria um filme sobre um adolescente psicopata, homicida, que tirou a vida de uma colega de escola. Porém, a serie contém uma mensagem subliminar de que o comportamento dos pais influenciam diretamente no comportamento dos filhos.  Jamie é um espelho perfeito de seu pai, que se apresenta como um homem agradável, trabalhador, pai de família exemplar, mas, que esconde um complexo de inferioridade e uma necessidade de aprovação de seu pai, avô de Jamie. O menino tem uma relação simbiótica com o pai, que já fica clara no primeiro episódio, quando da sua prisão, em que exige que o pai seja o seu guardião legal durante todo o pr...